A partir deste mês, os aposentados e pensionistas já podem comprometer até 30% do valor mensal do benefício com o pagamento dos empréstimos, caso não optem pelo cartão de crédito.
A mudança foi aprovada em uma decisão do Conselho Nacional da Previdência Social, no dia 10 deste mês. Era esperado que a regulamentação da margem maior do consignado saísse até o dia 25 deste mês, mas, ontem, o INSS informou que a mudança deverá começar a valer em abril.
Anteriormente, o limite do valor da parcela do empréstimo consignado é de 20% do benefício. O segurado pode usar outros 10% com o pagamento da parcela do cartão de crédito consignado. Se o segurado não optar pelo uso do cartão, o limite da parcela do empréstimo continua em 20%.
Com a mudança, ele poderá usar 30% apenas com a prestação do crédito consignado. Mas, se usar o cartão, essa margem continua caindo para 20% -e os outros 10% estão livres para o uso do cartão.
Com a margem de 30% no consignado, o valor máximo que o segurado poderá pegar, em um financiamento de 60 meses, será de R$ 29.847.
"A opção de ter uma margem maior de empréstimo para quem não quer o cartão de crédito é uma reivindicação dos clientes. É muito ruim quando uma regra limita as opções de escolha dos segurados", disse Jorge Higashino, superintendente de Projetos Especiais da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
Segundo o executivo da Febraban, a procura por empréstimos com desconto no pagamento no INSS, com juros de até 2,5% ao mês, deverá aumentar com a mudança.
Em janeiro do ano passado, o Ministério da Previdência Social alterou a regra e reduziu a margem de consignação para 20%. Para as entidades de aposentados, a margem maior e o empréstimo fácil podem trazer problemas.
"O governo libera mais limite para empréstimo sem alertar sobre os riscos do endividamento. O segurado precisa ser bem orientado sobre o uso consciente do dinheiro porque depois irá pagar mais juros", disse João Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical.